Jogo de RPG clássico é usado para testar colaboração entre humanos e inteligência artificial
Cientistas estão utilizando Dungeons & Dragons (D&D), um conhecido jogo de RPG de mesa, como ferramenta para investigar a capacidade de colaboração entre humanos e inteligências artificiais (IA) em tarefas complexas. A pesquisa, desenvolvida por universidades da Califórnia em San Diego e da Pensilvânia, emprega partidas do jogo para criar um ambiente simulado de laboratório, onde o comportamento de modelos de IA pode ser analisado em detalhe.
O D&D, conhecido por ser mais do que apenas entretenimento, exige um conjunto de habilidades cruciais para a interação bem-sucedida entre humanos e IA. Planejamento de longo prazo, manutenção da memória, comunicação efetiva entre os membros de um grupo e adesão estrita a regras são características essenciais do jogo que espelham os requisitos para o trabalho colaborativo no mundo real. Este estudo, intitulado “Setting the DC: Tool-Grounded D&D Simulations to Test LLM Agents”, explora essas dinâmicas.
No experimento, agentes de IA foram designados a assumir diversas funções dentro do jogo, incluindo as de jogadores, monstros e até mesmo o papel de “Dungeon Master” (DM). O DM é o responsável por ditar as regras e guiar o desenrolar da partida. Todas as ações realizadas pelas IAs eram processadas e validadas por um sistema automatizado, permitindo aos pesquisadores identificar com precisão os momentos em que a IA tomava decisões corretas e as situações em que ocorriam falhas, como tentativas de atacar alvos fora do alcance ou a ignorância do estado atual do jogo.
O desempenho dos modelos de IA foi avaliado com base em seis critérios principais, que abrangeram a qualidade na execução do papel designado, a eficiência das ações tomadas, o respeito às regras estabelecidas e a capacidade de coordenação em equipe. Os resultados indicaram que modelos mais avançados demonstraram maior consistência e cooperação em dezenas de cenários idênticos. Contudo, observou-se uma queda no desempenho de alguns modelos à medida que as partidas se tornavam mais longas e intrincadas.
Os autores do estudo destacam que o formato do RPG proporciona um ambiente que se aproxima de situações de trabalho reais. Nesses cenários, decisões frequentemente precisam ser tomadas sob pressão, com informações limitadas e em colaboração com outros agentes. Portanto, o jogo de D&D serve como um teste prático eficaz para compreender as limitações atuais da inteligência artificial em contextos coletivos.
A conclusão da pesquisa sugere que a metodologia de simulação baseada em RPG pode transcender o âmbito dos jogos. Essa mesma abordagem tem o potencial de ser aplicada em outras áreas no futuro, como negociações, desenvolvimento de estratégias empresariais e até mesmo simulações jurídicas. Tais aplicações poderiam auxiliar na definição de como humanos e IA podem compartilhar responsabilidades de maneira mais eficiente e segura.
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